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Michelangelo Antonioni, em uma de suas raras aparições públicas, em 2005, quando recebeu na Academia de Hollywood, um Oscar especial pelo conjunto do seu trabalho.

Maier

 

 

Antonioni tinha um estilo peculiar de filmar que nem sempre agradava as platéias e nos dias de hoje agradaria menos ainda: cenas longas e lentas, algumas sem diálogos e cheias de simbolismo.

 

 

Michelangelo Antonioni

 

 

O mundo do cinema ainda não havia rezado a missa de sétimo dia pela morte de Ingmar Bergman quando deu o último suspiro outro grande mestre da sétima arte: Michelangelo Antonioni morreu em sua casa, em Roma, aos 94 anos, no dia 30.07.2007.

 

Como Bergman, Antonioni fez o mundo ver que se fazia arte com o cinema e não somente filmes em série, como é a regra de Hollywood.

 

Em seus mais de 60 anos de carreira, Antonioni nunca se afastou da telona: aos 91 anos, com a saúde seriamente comprometida, lançou o seu último trabalho.

 

Nasceu em 29 de setembro de 1912, em Ferrara, na Itália. Estudou economia e foi pintor antes de abraçar o cinema, que começou, na verdade, como crítico, em uma revista que era publicada pelo regime fascista de Mussolini.

 

Em 1942, estreou, de fato, nas telas, como ajudante do outro consagrado diretor italiano, Roberto Rossellini com o roteiro de Un Pilota Ritorna.

 

Em 1943 fez seu primeiro curta, Gente del Po. Por toda a década de 40 se dedicou aos curtas, a maioria documentários.

 

Em 1950 fez seu primeiro longa-metragem: o filme noir Crimes D’alma. Três anos depois lançou A Dama Sem Camélias, Os Vencidos e Amores na Cidade.

 

Nestes trabalhos contou com a colaboração dos cineastas Dino Risi e ninguém menos que Federico Fellini.

 

Em 1955 ganhou o Leão de Prata, no Festival de Veneza, com As Amigas.

 

O primeiro grande sucesso de Antonioni veio em 1960 com A Aventura: ganhou o Prêmio do Júri em Cannes e obteve reconhecimento internacional.

 

Em 1961 veio A Noite, que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, e em 1962 O Eclipse, que ganhou o prêmio do júri de Cannes.

 

Estes três filmes já tinham a participação de atores consagrados, como Monica Vitti, Marcello Mastroianni, Jeanne Moreau e Alain Delon.

 

Antonioni tinha um estilo peculiar de filmar que nem sempre agradava as platéias e nos dias de hoje agradaria menos ainda: cenas longas e lentas, algumas sem diálogos e cheias de simbolismo.

 

Seus críticos, todavia, foram unânimes em considerar que ele foi o cineasta que melhor retratou a alienação que tomou conta da sociedade italiana no pós-guerra.

 

Em 1964 ele aumentou o seu fã clube com Deserto Vermelho, vencedor do Leão de Ouro em Veneza.

 

Em 1966 Antonioni conquistou Hollywood: filmou Blow-Up - Depois Daquele Beijo, e alcançou o Oscar, com indicações à Melhor Direção e Melhor Roteiro.

 

Em 1975, após um período de filmagens sem maiores repercussões, ele voltou às manchetes com O Passageiro - Profissão: Repórter, considerado como um dos seus melhores trabalhos. Jack Nicholson era o ator principal.

 

Em 1985 sofreu um derrame cerebral que o deixou parcialmente paralítico e sem fala, mas, isto não o impediu de continuar trabalhando: nesta ocasião produziu documentários com a participação de Bernardo Bertolucci, Gillo Pontecorvo, Francesco Rosi e Franco Zeffirelli.

 

Em 1995, ainda parcialmente sem voz, Antonioni filmou o longa Além das Nuvens, adaptado de um livro de contos de sua autoria.

 

Em seu retorno recebeu um prêmio no Festival de Veneza, e, no mesmo ano, recebeu um Oscar especial da Academia de Hollywood, pelo conjunto de sua obra: foi um dos momentos mais emocionante da cerimônia.

 

Em 2004, aos 91 anos, Antonioni completou sua obra com mais dois filmes: o curta Lo Sguardo di Michelangelo, sobre o célebre pintor, e o segmento Il Filo Pericoloso Delle Cose, o seu canto do cisne.

   

 

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