O mundo do cinema ainda não
havia rezado a missa de sétimo dia pela morte de
Ingmar Bergman quando deu o último
suspiro outro grande mestre da sétima arte: Michelangelo
Antonioni morreu em sua casa, em Roma, aos 94 anos, no dia
30.07.2007.
Como Bergman, Antonioni fez o mundo ver que se fazia arte
com o cinema e não somente filmes em série, como é a regra
de Hollywood.
Em seus mais de 60 anos de carreira, Antonioni nunca se
afastou da telona: aos 91 anos, com a saúde seriamente
comprometida, lançou o seu último trabalho.
Nasceu em 29 de setembro de 1912, em Ferrara, na Itália.
Estudou economia e foi pintor antes de abraçar o cinema, que
começou, na verdade, como crítico, em uma revista que era
publicada pelo regime fascista de Mussolini.
Em 1942, estreou, de fato, nas telas, como ajudante do outro
consagrado diretor italiano, Roberto Rossellini com o
roteiro de Un Pilota Ritorna.
Em 1943 fez seu primeiro curta, Gente del Po. Por
toda a década de 40 se dedicou aos curtas, a maioria
documentários.
Em 1950 fez seu primeiro longa-metragem: o filme noir
Crimes D’alma. Três anos depois lançou A Dama Sem
Camélias, Os Vencidos e Amores na Cidade.
Nestes trabalhos contou com a colaboração dos cineastas Dino
Risi e ninguém menos que Federico Fellini.
Em 1955 ganhou o Leão de Prata, no Festival de Veneza, com
As Amigas.
O primeiro grande sucesso de Antonioni veio em 1960 com A
Aventura: ganhou o Prêmio do Júri em Cannes e obteve
reconhecimento internacional.
Em 1961 veio A Noite, que venceu o Urso de Ouro no Festival
de Berlim, e em 1962 O Eclipse, que ganhou o prêmio do júri
de Cannes.
Estes três filmes já tinham a participação de atores
consagrados, como Monica Vitti, Marcello Mastroianni, Jeanne
Moreau e Alain Delon.
Antonioni tinha um estilo peculiar de filmar que nem sempre
agradava as platéias e nos dias de hoje agradaria menos
ainda: cenas longas e lentas, algumas sem diálogos e cheias
de simbolismo.
Seus críticos, todavia, foram unânimes em considerar que ele
foi o cineasta que melhor retratou a alienação que tomou
conta da sociedade italiana no pós-guerra.
Em 1964 ele aumentou o seu fã clube com Deserto Vermelho,
vencedor do Leão de Ouro em Veneza.
Em 1966 Antonioni conquistou Hollywood: filmou Blow-Up -
Depois Daquele Beijo, e alcançou o Oscar, com indicações à
Melhor Direção e Melhor Roteiro.
Em 1975, após um período de filmagens sem maiores
repercussões, ele voltou às manchetes com O Passageiro -
Profissão: Repórter, considerado como um dos seus melhores
trabalhos. Jack Nicholson era o ator principal.
Em 1985 sofreu um derrame cerebral que o deixou parcialmente
paralítico e sem fala, mas, isto não o impediu de continuar
trabalhando: nesta ocasião produziu documentários com a
participação de Bernardo Bertolucci, Gillo Pontecorvo,
Francesco Rosi e Franco Zeffirelli.
Em 1995, ainda parcialmente sem voz, Antonioni filmou o
longa Além das Nuvens, adaptado de um livro de contos de sua
autoria.
Em seu retorno recebeu um prêmio no Festival de Veneza, e,
no mesmo ano, recebeu um Oscar especial da Academia de
Hollywood, pelo conjunto de sua obra: foi um dos momentos
mais emocionante da cerimônia.
Em 2004, aos 91 anos, Antonioni completou sua obra com mais
dois filmes: o curta Lo Sguardo di Michelangelo,
sobre o célebre pintor, e o segmento Il Filo Pericoloso
Delle Cose, o seu canto do cisne.