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Ingmar Bergman aos 86 anos

Maier

 

 

Numa carreira de meio século e durante a qual ele criou mais de 50 filmes e 125 produções teatrais, Bergman tornou-se a mais aclamada personalidade cultural da Escandinávia e um dos maiores cineastas do mundo.

 

 

Ingmar Bergman

 

 

Ernst Ingmar Bergman nasceu em Uppsala, Suécia, em 14 de julho de 1918.

 

Teve uma infância difícil: além de uma saúde frágil, seu pai, um pastor luterano que se tornou capelão do rei da Suécia, costumava humilhá-lo e surrá-lo.

 

O lendário cineasta sueco, que influenciou gerações de cinéfilos com suas obras sombrias sobre temas como a morte e os tormentos sexuais, morreu na segunda-feira, 30.07.2007, em sua casa na Ilha de Faro, na Suécia, aos 89 anos.

 

Considerado por alguns críticos como o maior cineasta da história, Ingmar Bergman exorcizou sua infância traumática por meio de obras-primas do cinema que exploraram a ansiedade sexual, a solidão e a busca por um sentido na vida.

 

Numa carreira de meio século e durante a qual ele criou mais de 50 filmes e 125 produções teatrais, Bergman tornou-se a mais aclamada personalidade cultural da Escandinávia e um dos maiores cineastas do mundo.

 

Filmes como "Morangos silvestres", "Cenas de um casamento" e o clássico "Fanny e Alexander" o elevaram à condição de um dos maiores mestres do cinema.

 

Casou-se cinco vezes com mulheres belas e talentosas e teve várias relações amorosas com suas atrizes principais.

 

Influenciou dezenas de cineastas, incluindo Woody Allen, que o idolatrava.

 

Bergman falou várias vezes de seu hábito de refugiar-se em fantasias e de seu gosto pelo macabro.

 

Críticos atribuem à educação rígida que o diretor teve em sua infância, os temas de repressão, culpa e castigo, constantes em sua obra.

 

Em rara entrevista, concedida em 2001, à Reuters, Bergman disse que durante toda sua vida ele foi atormentado e inspirado por demônios pessoais.

 

"Os demônios são inúmeros, aparecem nos momentos mais impróprios e geram pânico e terror", disse ele na época. "Mas já aprendi que, se consigo controlar as forças negativas e atrelá-las a minha carruagem, elas podem trabalhar em meu benefício."

 

O vínculo autobiográfico de sua obra tornou-se claro em "Fanny e Alexander", que afirmou ser sua grande final como cineasta.

 

Produzido em duas versões, de três e de cinco horas, o filme recebeu quatro Oscar em 1984, um deles de melhor filme em língua estrangeira.

 

O reconhecimento internacional pleno chegou para ele com uma produção ambientada na Idade Média no tempo da peste negra, mostrando um cruzado à procura de Deus e do sentido da vida: O Sétimo Selo.

 

Tornou-se antológica a cena  em que o cruzado joga xadrez com a morte.

 

O filme recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes em 1957.

 

Nos dez anos seguintes Bergman criou "Morangos silvestres", "O silêncio", "A fonte da donzela" e "Através de um espelho". Os dois últimos receberam o Oscar de melhor filme em língua estrangeira.

 

Esguio, nariz adunco e hábito de vestir roupas folgadas, Bergman não era fisicamente bonito, mas as mulheres se sentiam atraídas por ele.

 

Suas ex-esposas, entre as quais uma dançarina, uma diretora e uma pianista, continuavam a elogiá-lo depois de separadas dele, como também faziam as atrizes com as quais ele teve romances, entre elas a norueguesa Liv Ullmann, sua companheira no final dos anos 1960.

 

Sua quinta esposa foi a elegante condessa Ingrid von Rosen, com quem se casou em 1971.

 

Bergman teve nove filhos: quatro meninos e cinco meninas.

 

Em janeiro de 1976 Bergman foi preso durante um ensaio do Real Teatro Dramático da Suécia por suspeita de sonegação de impostos.

 

Ele não chegou a ser formalmente acusado, mas a humilhação que sentiu o levou a sofrer um colapso nervoso.

 

Condenando publicamente à burocracia sueca, ele deixou seu país para viver um longo exílio em Munique.

 

Em 1984 retornou ao Real Teatro Dramático com uma versão aclamada de "Rei Lear".

A partir de 1985 passou a produzir uma seqüência de obras clássicas no Teatro Nacional.

 

Sua última produção cinematográfica foi "Saraband", um drama familiar feito para a televisão em 2003, altamente elogiado.

   

 

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