Ernst Ingmar Bergman nasceu em
Uppsala, Suécia, em 14 de julho de 1918.
Teve uma infância difícil: além de uma saúde frágil, seu
pai, um pastor luterano que se tornou capelão do rei da
Suécia, costumava humilhá-lo e surrá-lo.
O lendário cineasta sueco, que influenciou gerações de
cinéfilos com suas obras sombrias sobre temas como a morte e
os tormentos sexuais, morreu na segunda-feira, 30.07.2007,
em sua casa na Ilha de Faro, na Suécia, aos 89 anos.
Considerado por alguns críticos como o maior cineasta da
história, Ingmar Bergman exorcizou sua infância traumática
por meio de obras-primas do cinema que exploraram a
ansiedade sexual, a solidão e a busca por um sentido na
vida.
Numa carreira de meio século e durante a qual ele criou mais
de 50 filmes e 125 produções teatrais, Bergman tornou-se a
mais aclamada personalidade cultural da Escandinávia e um
dos maiores cineastas do mundo.
Filmes como "Morangos silvestres", "Cenas de um casamento" e
o clássico "Fanny e Alexander" o elevaram à condição de um
dos maiores mestres do cinema.
Casou-se cinco vezes com mulheres belas e talentosas e teve
várias relações amorosas com suas atrizes principais.
Influenciou dezenas de cineastas, incluindo Woody Allen, que
o idolatrava.
Bergman falou várias vezes de seu hábito de refugiar-se em
fantasias e de seu gosto pelo macabro.
Críticos atribuem à educação rígida que o diretor teve em
sua infância, os temas de repressão, culpa e castigo,
constantes em sua obra.
Em rara entrevista, concedida em 2001, à Reuters, Bergman
disse que durante toda sua vida ele foi atormentado e
inspirado por demônios pessoais.
"Os demônios são inúmeros, aparecem nos momentos mais
impróprios e geram pânico e terror", disse ele na época.
"Mas já aprendi que, se consigo controlar as forças
negativas e atrelá-las a minha carruagem, elas podem
trabalhar em meu benefício."
O vínculo autobiográfico de sua obra tornou-se claro em
"Fanny e Alexander", que afirmou ser sua grande final como
cineasta.
Produzido em duas versões, de três e de cinco horas, o filme
recebeu quatro Oscar em 1984, um deles de melhor filme em
língua estrangeira.
O reconhecimento internacional pleno chegou para ele com uma
produção ambientada na Idade Média no tempo da peste negra,
mostrando um cruzado à procura de Deus e do sentido da vida:
O Sétimo Selo.
Tornou-se antológica a cena em que o cruzado joga xadrez
com a morte.
O filme recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes em
1957.
Nos dez anos seguintes Bergman criou "Morangos silvestres",
"O silêncio", "A fonte da donzela" e "Através de um
espelho". Os dois últimos receberam o Oscar de melhor filme
em língua estrangeira.
Esguio, nariz adunco e hábito de vestir roupas folgadas,
Bergman não era fisicamente bonito, mas as mulheres se
sentiam atraídas por ele.
Suas ex-esposas, entre as quais uma dançarina, uma diretora
e uma pianista, continuavam a elogiá-lo depois de separadas
dele, como também faziam as atrizes com as quais ele teve
romances, entre elas a norueguesa Liv Ullmann, sua
companheira no final dos anos 1960.
Sua quinta esposa foi a elegante condessa Ingrid von Rosen,
com quem se casou em 1971.
Bergman teve nove filhos: quatro meninos e cinco meninas.
Em janeiro de 1976 Bergman foi preso durante um ensaio do
Real Teatro Dramático da Suécia por suspeita de sonegação de
impostos.
Ele não chegou a ser formalmente acusado, mas a humilhação
que sentiu o levou a sofrer um colapso nervoso.
Condenando publicamente à burocracia sueca, ele deixou seu
país para viver um longo exílio em Munique.
Em 1984 retornou ao Real Teatro Dramático com uma versão
aclamada de "Rei Lear".
A partir de 1985 passou a produzir uma seqüência de obras
clássicas no Teatro Nacional.
Sua última produção cinematográfica foi "Saraband", um drama
familiar feito para a televisão em 2003, altamente elogiado.