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Em uma noite de plenilúnio, às
margens do
Rio Tocantins, o lavrador pegou a lanterna e saiu
correndo de casa à busca da parteira. Sua mãe, uma teúda
mameluca, ficou vigiando a esposa que se contorcia com as
dores do parto.
Quando voltou com a parteira, o menino já chorava ao mundo.
Não esperou: simplesmente nasceu.
A parteira cortou o cordão umbilical e o jogou ao Rio
Tocantins.
Após os serviços de praxe de pós parto, a mãe de Ismael o
chamou ao quarto para ver o filho.
O lavrador entrou no quarto. A lamparina o deixou ver a
criança ao peito da mãe.
Nascera
Parsifal, pensou ele orgulhoso...
O lavrador pegou uma cartucheira calibre vinte, carregou o
cartucho ao cano, armou e saiu à porta. O Tocantins
espreitava-lhe manteúdo.
Apontou a mira da vinte à Lua e disparou: era assim que os
caboclos do baixo Tocantins anunciavam a chegada de um homem
à família.
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