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Libretto da ópera Parsifal, de Wagner

Parsifal - Richard Wagner

“Parsifal” foi a última ópera composta por Richard Wagner, sendo considerada por muitos críticos o ápice do cenário wagneriano.
Vários comentaristas inibem o público, desencorajando-o a assistir a ópera, ao afirmarem que a obra é tão séria e solene que apenas os entusiastas por Wagner conseguem apreciá-la.
Na verdade, para quem gosta do gênero, o enredo é simples e agradável, abordando conhecidas lendas e mitos medievais da época das Cruzadas.

Muitos consideram “Parsifal” uma obra profundamente cristã ou religiosa. O primeiro grande crítico que reclamou dos conteúdos morais e religiosos do texto foi Nietzsche, que declarou: “Ao compor Parsifal, Wagner se colocou de joelhos perante a cruz de Cristo”.

Wagner concebeu a idéia de escrever “Parsifal” em 1857, mas tal como o ciclo do “Anel”, passou por um período de amadurecimento de 25 anos, tendo sido finalizada somente em janeiro de 1882.

A ópera já foi aclamada como uma apologia ao cristianismo e vilipendiada por ter sido útil ao nacional-socialismo de Hitler.
Alguns escritores como Robert Gutmann e Hartmut Zelinsky interpretaram-na como uma obra racista. Não é correta esta teoria, já que, a partir de 1939, o III Reich a baniu do repertório de Bayreuth.

Quando de sua estréia no ano de 1882, as 16 apresentações foram regidas por Hermann Levi, filho de um importante rabino da cidade de Karlsruhe, que, apesar da insistência de Wagner para que se convertesse ao cristianismo antes do começo dos Festivais, permaneceu fiel ao judaísmo.
Por coincidência, a regência do “Parsifal” no ano de seu centenário foi entregue por Wofgang Wagner, neto do compositor, ao maestro judeu James Levine.

O famoso crítico Ernest Newman considera essa obra “a suprema canção de amor e piedade”.
Debussy, que sempre foi um grande crítico da música de Wagner, declarou: “Esse é o mais lindo monumento erigido para a eterna glória da música”.
Mahler anotou em seu diário: “Quando saí do Teatro dos Festivais, incapaz de dizer uma só palavra, eu sabia que havia experimentado a suprema grandeza e o supremo sofrimento”.
A cantora Nellie Melba, escreveu em seu livro “Melodies and Memories”: “Eu não posso explicar o que aconteceu comigo durante o 1º ato. O teatro deixou de existir, eu deixei de existir e apenas meu espírito, fora de meu corpo, flutuava no reino da música pura. Para que estranha esfera aquela música me transportou? Suponho que eu nunca saberei”.

Uma das curiosidades que envolvem “Parsifal”, diz respeito aos aplausos: por ocasião da estréia, Wagner estabeleceu que ao final do 1º e 2º atos, o público deveria se abster de aplaudir, a fim de que fosse mantido o clima provocado pela música. O reconhecimento aos cantores e músicos seria reservado para o final do 3º ato.


Com a morte de Wagner, sua família e seus admiradores quiseram ser mais exigentes que o falecido e ficou decidido que a ópera não seria aplaudida nem em seu encerramento. Esta tradição foi mantida até 1965, e atualmente existe o compromisso tácito da platéia de não aplaudir somente o final do 1º ato.


Portanto, se um dia você tiver o privilégio de assistir “Parsifal”, não cometa o sacrilégio de aplaudir o final do primeiro ato. Nem respire.