| Quando se
fala em búfalos logo vem à mente aquela imagem do
rebanho se refrescando em terras alagadas. Mas no
município de Moju, na região do Baixo Tocantins, a 50
quilômetros de Belém, a paisagem é completamente
diferente dos campos do Marajó. E mesmo em terra-firme e
condições adversas é lá, na Fazenda Santa Isabel, que
um superbezerro está chamando a atenção. X-Búfalo da
SI, como foi registrado, pesou 403 quilos no dia 15 de
novembro, aos 10 meses e 23 dias, o que foi confirmado
pelo veterinário José Carlos Teixeira, diretor técnico
da Associação Paraense de Criadores de Búfalos.
É uma raridade! Tem o peso de um animal de dois
anos. E o mais interessante: X-búfalo da SI foi
criado se alimentando apenas de leite materno e pasto. E,
como os outros animais da fazenda, não conhece ração.
Segundo
a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos não
se tem registro ou acompanhamento de um búfalo Murrah
dessa idade, com esse peso e sem ração na
alimentação. É um fato inédito,comemora
Eduardo Daher, proprietário da fazenda Santa Isabel.
Quando dizia que atingiria essa meta em regime
exclusivo de peito e pasto ninguém acreditava,
conclui.
X-Búfalo
da SI já nasceu com um peso excepcional: 51 quilos. A
média de peso do bezerro ao nascer é de 30 a 40 quilos.
A explicação pode vir da genética. Ele nasceu a partir
de inseminação artificial. Eu acho um grande
resultado. É um diferencial em termos de búfalo. Nós
pecuaristas temos que perseguir esse resultado. A maioria
dos criadores do Pará ainda não faz o controle do
rebanho que o Eduardo Daher faz, afirmou o
pecuarista Luis Burlamaqui, da Cooperativa dos
Fazendeiros do Pará.
Interesse
- O interesse pelos bubalinos começou em 1986, por puro
hobby. Eduardo criava búfalos nos fundos de uma
metalúrgica, na periferia de Belém. Logo percebeu que
era impraticável manter os treze animais em uma área
urbana e pequena.
Eduardo
Daher é um dos poucos criadores da região. Apostou
inicialmente em uma área de várzea, porque achava que
seria o ideal para a criação de bubalinos, mas logo
vieram as dificuldades. O manejo do animal era inviável
e os problemas com as cercas eram enormes. Os búfalos
têm muita força e se deslocam bastante, principalmente
à noite. Na várzea, eles metiam a cabeça na
cerca e levantavam na marra 4 ou 5 estacas, lembra
Eduardo, que é diretor tesoureiro da Associação
Paraense de Criadores de Búfalos.
O
passo seguinte foi partir para a experiência com
criação de bubalinos em terra firme. Comecei a
observar que a taxa de crescimento dos animais era melhor
e o manejo mais fácil, ressalta. Na área atual da
fazenda o empresário cria 118 búfalos adultos da raça
Murrah e 37 bezerros.
Antigamente
se pensava que as pouca glândulas sudoríparas dos
búfalos e a cor preta, que absorve mais calor, eram um
empecilho para a sobrevivência em áreas secas. Hoje já
se sabe, por experiência, que não é bem assim.
Rebanho
- Eduardo Daher é um dos poucos criadores preocupados
com o melhoramento genético do rebanho. Com a pesagem
mensal é possível produzir um histórico dos animais e,
com isso, selecionar cada vez mais os búfalos de maior
produtividade. Outra vantagem também é que os animais
ficam mais dóceis e não se estressam quando são
levados ao curral e, portanto, não perdem peso ao serem
manejados.
Quando
alcançam o peso de 400 quilos, antes de completarem 24
meses, os machos são descartados, pois a curva de
crescimento, a partir daí, passa a ser menor.
As
búfalas têm uma grande vantagem: são precoces para a
fertilidade. Começam a parir aos dois anos de idade. Só
pra se ter uma idéia 45% das fêmeas nascidas em 1998
já pariram. E 100% das fêmeas de 1997 já deram cria.
Elas amamentam durante 8 meses.
Quando
da minha primeira visita técnica à fazenda de Eduardo
Daher fiquei muito impressionado com o estado nutricional
dos animais, mesmo em condições adversas de manejo.
Hoje me considero muito satisfeito em saber dos
excelentes resultados obtidos pelo pecuarista,
declarou Moura Carvalho,pesquisador da Embrapa Amazônia
Oriental.
Produtor investe
de olho no mercado da carne
Eduardo
Daher começou a experiência com inseminação
artificial há 4 anos, acatando sugestão do pesquisador
e veterinário William Vale, na época coordenador geral
da Cebran- Central de Biotecnologia de Reprodução
Animal, da Universidade Federal do Pará. O sêmen
coletado na Central é diluído com água de côco, o que
tornou a técnica bem mais barata. Foi a primeira
experiência nesse sentido e deu certo. Até hoje
temos nos abastecido de sêmen junto à Cebran, que é um
dos poucos lugares no Brasil que produz sêmen de búfalo
de qualidade comprovada,, afirma Eduardo.
No
Pará poucos pecuaristas fazem inseminação. Na maioria
dos casos esse número é baixo por falta de tecnologia e
de conhecimento. Muitas vezes se gasta 5.000
dólares por um bom touro, quando se pode gastar 15 a 20
reais por uma dose de sêmen, disse o presidente da
Associação Paraense dos Criadores de Búfalo, Roberto
Rodrigues Fonseca.
Preconceito
- Não se tem números exatos, mas sabe-se que o
Pará é o maior criador de búfalos do Brasil, com 50%
do rebanho nacional. Os dados são da Associação
Paraense de Criadores de Búfalos. O problema ainda
é o preconceito contra a carne de búfalo, que não tem
tradição de consumo, diz José Carlos Teixeira.
Com o marketing em cima da comercialização do
Baby Búfalo,animais criados a peito e a pasto de no
máximo 2 anos, já conseguimos elevar a procura. Esse
tipo de carne já está tendo grande aceitação no
mercado nordestino para onde já estamos
exportando, acrescenta.
A
expectativa dos mais de 800 criadores de bubalinos do
Pará está na queda das barreiras sanitárias de
controle da febre aftosa, quando será possível exportar
para o Sul e o Sudeste do país. Acreditamos que
estas barreiras serão superadas a partir de 2005, quando
já deveremos estar produzindo um búfalo com melhor
qualidade e maior produtividade, planeja Daher.
Atualmente
o Pará exporta 300 a 400 búfalos por mês, o que
representa 150 toneladas de carne de Baby Búfalo. Mas
essa produção ainda está bem abaixo do consumo
esperado. A oferta é bem menor que a
procura, afirma o pecuarista Roberto Fonseca, que
aposta na expansão do rebanho para o abate.
A
comercialização de carne de búfalo é extremamente
promissora. Os animais atingem o peso ideal bem mais cedo
que o gado bovino. Além disso é possível conquistar
facilmente o mercado consumidor apostando na qualidade da
carne, que tem 40% menos colesterol, 11% mais proteína,
10% mais minerais, 55% menos calorias e é 12 vezes menos
gordurosa que a carne de bovino, por isso traz o selo
light.
A
fazenda Santa Isabel tem um site na Internet que já
recebeu 2.000 visitas
(http://www.interconect.com.br/bufalo) desde agosto de
1999. O site apresenta informações curiosas para quem
se interessa pela criação de búfalos e dados sobre o
rebanho da fazenda. A página tem viabilizado a visita de
estudantes, criadores e profissionais da área, inclusive
do exterior à fazenda Santa Isabel.
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