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SEXTA-FEIRA, 24, E FIM DE SEMANA, 25 E 26 DE NOVEMBRO DE 2000, Nº 667

Um bezerro com mais de 400 quilos

Chegar a 403 quilos com apenas dez meses de idade é um feito extraordinário até mesmo quando se trata de um búfalo, animal famoso pela rapidez com que ganha peso. A façanha foi registrada na fazenda Cajueiro, no município de Moju, a 50 quilômetros de Belém. O bezerro X-Búfalo, que nasceu em dezembro do ano passado, já pesa duas vezes mais que outros animais da mesma raça (murrah) e idade e está sendo apontado como prova do sucesso das experiências para melhorar o rebanho bubalino do Pará. “É difícil dizer se é um recorde brasileiro pela falta de registro, mas o X-Búfalo é um animal com valor genético considerável por conta desse peso que, se não é o maior, está entre os maiores do País”, afirma o superintendente de registro da Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB), Pietro Baruselli.

O avô de X-Búfalo é um reprodutor búlgaro que teve o sêmen importado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental. O pai chama-se Vulcão e faz parte dos reprodutores que têm sêmen coletado pela Central de Biotecnologia de Reprodução Animal da Universidade Federal do Pará (Cebran). O bezerro precoce é resultado de inseminação artificial. O proprietário de X-Búfalo, Eduardo Daher, credita o peso extraordinário do animal à melhoria genética, aliada à técnica de pastejo rotacionado, onde o pasto é dividido e o animal vai sendo transferido de uma área para outra, dando tempo para que a parte saturada se recupere . “Não temos embasamento científico, mas acreditamos que o fato de os animais serem vermifugados uma vez por mês também contribui para essa precocidade”, afirma Daher.

O feito de X-Búfalo torna-se ainda mais impressionante porque, na Cajueiro, os animais não são alimentados com ração. O cardápio é formado apenas por leite materno e pasto do tipo braquiarão. Além disso, a fazenda fica em uma área seca, diferente do cenário alagado onde os búfalos costumam ser criados. “O bubalino tem menos poros e mais dificuldade para trocar calor. Por isso acha-se que esses animais gostam de ficar na lama. Na verdade, eles preferem água limpa e sombra”, afirma Daher.
O bezerro de 403 quilos está sendo acompanhado com toda a atenção na fazenda. “Queremos ver a potencialidade real dele”, diz. A expectativa é entre um ano e meio e dois anos, o X-Búfalo poderá doar sêmen para melhorar outros plantéis.

O Pará tem o maior rebanho bubalino do País. São cerca de 1,5 milhão de animais, cerca de metade do rebanho brasileiro. Estima-se que, hoje, 40% da carne consumida na Região Metropolitana de Belém seja de búfalo. Os criadores desses animais garantem que a carne de búfalo tem até 40% menos colesterol que a do gado tradicional. “Tem menos colesterol que o frango com o couro”, diz Daher. Eduardo Daher define-se como um apaixonado por búfalos. Ele começou a criação nos fundos de uma metalúrgica na Região Metropolitana de Belém. Eram apenas onze cabeças, mas o espaço ficou pequeno. Em 1992, o empresário comprou a primeira fazenda, a Santa Isabel, em Moju. Depois, ampliou o espaço comprando a Cajueiro em uma área anexa. Hoje, são três fazendas que somam cerca de dois mil hectares e onde estão 277 cabeças de búfalo.

A intenção de Daher é usar os animais para melhoramento genético. Há quatro anos, ele vem fazendo experiências para selecionar matrizes. “Hoje, 50% das fêmeas nascidas em 1998 já pariram”, diz o produtor. Em geral, as fêmeas começam a dar crias a partir do terceiro ano de vida. O interesse pela pecuária bubalina não é por acaso. Embora tenha um rebanho expressivo, no Pará a criação ainda é extensiva, sem manejo ou preocupações com a genética. Os especialistas querem mudar esse quadro porque acreditam que em quatro ou cinco anos (com o possível fim das barreiras sanitárias criadas hoje por causa da febre aftosa) o gado bubalino do estado poderá ser exportado especialmente para países como o Japão que valorizam a carne considerada mais light desses animais.
(Mais informações no site www.interconect.com.br/búfalo)


Rita Soares
(rsoares@gazetamercantil.com.br)
de Belém

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