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DIÁRIO DO PARÁ
Domingo, 26 de novembro de 2000
CADERNO CIDADES (pg.6)

CARNE DE BABY BÚFALO ESTÁ SENDO EXPORTADA
Ela é vendida em supermercados de Belém e vai para outros Estados
Dulcivania Freitas

Ainda este ano começa a funcionar em Belém a segunda rede de pontos devenda da carne do baby búfalo, diferente do comum porque é criado em condições especiais e abatido entre 18 e 24 meses de vida pesando no mínimo 400 quilos. Desde junho de 1999 o grupo supermercados e Magazine Nazaré teve a exclusividade do comércio varejista do produto. Agora, vai dividir a preferência do consumidor paraense com um grupo concorrente. 

O presidente da Associação Paraense dos Criadores de Búfalos (APCB), Roberto Fonseca, deixou claro que a maior oferta não implicará na redução do preço. "O búfalo é para quem pode pagar, aquela ideia de que a carne deste animal é para pessoas de menos poder aquisitivo é uma llusão". Fonseca acrescentou que, não há a tendência de redução do preço do baby búfalo porque será sempre oferecida em menor quantidade em relação à demanda do mercado consumidor. "Verdade que a oferta está aumentando, mas nunca será na mesma proporção da procura".

Apoiado em pesquisas de universidades norte-americanas e da UFPa, o presidente da APCB lembra que ao adquiriro baby búfalo o consumidor está pagando por uma carne mais saudável do que a bovina, a do frango e a do peru. "A partir desse aspecto já se começa a ter um valor diferenciado, além disso tem o investimento na industrialização e estamos atendendo um determinado público alvo que é de poder aquisitivo maior", afirmou Fonseca.

Ele também destacou, para fins de cálculos no preço final ao consumidor, os investimentos iniciais e permanentes dos criadores. "Para se ter um animal com carne de qualidade é preciso investir no melhorarnento genético, do pasto, cerca elétrica e vermifugação",detalhou o presidente da APCB.

O projeto de expansão dos pontos de vendas no varejo tomou impulso após expirar o contrato de exdusividade firmado com o grupo Nazaré, em junho deste ano. Ana Carla Gouveia Martins, da distribuidora Cabano disseque atualmente estão sendo abastecidas também as lojas do grupo Pão de Açúcar, em Fortaleza (CE).

A cada mês são embarcadas, via terrestre, de 15 a 20 toneladas de baby búfalo embalado a vácuo e etiquetado. Estão na mira da Cabano que se responsabiliza pêlo abate e processo de industrialização na Cooperativa da Indústria Pecuária do Pará, no Tapanã, em Belém os mercados do Recife (PE), Natal (RN) e outras capitais nordestinas onde o Pão de Açúcar mantém supermercados.

Ana Carla Martins disse que o grupo Bom Preço, que também atua no ramo de supermercados no Nordeste, também está interessado em comercializar carne do búfalo novilho. Paralelamente, o presidente da APCB tem metas audaciosas. "Na hora em que sairmos da febre aftosa, estaremos com este produto em São Paulo, no Brasil e até nos Estados Unidos", planeja Roberto Fonseca.

O novilho X-Búfalo alcançou a marca extraordinária de 4O3 quilos com dez meses de idade e servirá como reprodutor

PLANTEL - Melhoramento genético é prioridade

Desde o lançamento do produto X-Búfalo, milhares de bubalinos atingem 400 quilos antes dos 24 meses de nascidos têm como destino certo o abate. Passando destes parâmetros é para repensar. Foi o que aconteceu na Fazenda Cajueiro, município de Mojú(PA), onde, no último dia 15, o novilho X-Búfalo chegou aos 10 meses de idade com a marca extraordinária dos 403 quilos, um dos maiores pesos registrados no país.

O proprietário do animal, Eduardo Daher, não tem dúvidas sobre o que fazer para capitalizar a façanha. Nos seus planos está colocar o bubalino na galeria dos doadores de sêmem, a fim de contribuir para o melhoramento genético de outros plantéis. " Nada de liberar para o abate, esse não vai ser transformado em baby-búfalo", decidiu Daher, destacando que o X-Búfalo se alimenta apenas de leite materno e pasto. Nada de ração.

O superintendente de registro da Associação Brasileira de Criadores de Búfalo (ABCB), Pietro Baruselli, confirmou que o bezerro tem valor genético importante para as experiências de inseminação artificial, já que está entre os de maiores peso no Brasil. O próprio X-Búfalo é resultante de uma inseminação. Seu pai é Vulcão, um dos reprodutores que tem sêmem coletado pela Central de Biotecnologia de Reprodução Animal da UFPA (CEBRAN).

A melhoria genética é apontada pelo pecuarista Eduardo Daher como um dos fatores que resultou na precocidade do bezerro. "Também aplicamos a técnica do pastejo rotacionado (pasto dividido para o animal ser transferido de uma área para outra, dando tempo para recuperação da área saturada), vacinação adequada e vermifugação uma vez por mês", acrescentou Daher. O curioso é que os demais novilhos são criados nas mesmas condições de X-Búfalo.

Quanto a valorização da carne do búfalo com menos de 24 meses, Eduardo Daher, considera que o produto baby búfalo alavancou o criatório paraense. O preço do bezerro bubalino, por exemplo, até 1997 tinha um valor no mercado local 20% a menos em relação ao bovino da mesma idade. "Hoje os valores estão quase equiparados", compara Daher, que possui um rebanho bubalino de 277 cabeças. O presidente da APCB, Roberto Fonseca confirmou a tendência. Disse que, até bem pouco tempo um bezerro bubalino era vendido de R$0,45 a 0,50, o quilo. De 97 para cá, nenhum criador vende por menos de R$1,00 o quilo.

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