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A revista de agronegócios da Amazônia (AnoI,Nº4,Junho/02)
www.revistaagronegocio.com.br

Novo modelo de criar búfalos
Investimento em genética resultou no X-Búfalo, um reprodutor de peso
Marly Quadros
de Castanhal
U
m búfalo nascido no Pará pode
entrar para o livro dos recordes.
O X-Búfalo, como foi batizado, está
sendo acompanhado por criadores e
pesquisadores do Estado e já é con-
siderado o primeiro exemplar de uma
linhagem de superbezerros, por apre-
sentar um ganho de peso acima da
média registrada até hoje. O X-Búfa-
lo pertence ao engenheiro Eduardo
Daher, proprietário da Fazenda San-
ta Izabel, no município de Moju, re-
gião nordeste do Estado.
Da raça Murrah, o superbúfalo
nasceu no final de 1999 já com um
peso fora do normal, 51 quilos, quan-
do a média geralmente alcançada
pelos bezerros ao nascer é de 30 a 40
quilos. Com apenas dez meses, no
ano 2000, ele já apresentava 403 qui-
los, peso de um animal de dois anos
de idade. Outro dado qi.ie impressi-
onou os criadores do Estado e pes-
quisadores é que o X-Búfalo alcan-
çou esta marca sem que tenha rece-
bido nenhuma complementação ali-
mentar ou ração especial.
Ao completar 24 meses, em janei-
ro deste ano, o búfalo atingiu o peso
de 640 quilos, o que animou o em-
presário a tentar incluí-lo no livro dos
recordes. "Quando dizia que atingi-
ria essa meta em regime exclusivo a
peito e pasto ninguém acreditava",
lembra Daher. O bom desempenho do
X-Búfalo se deve em boa parte aos in-
vestimentos em melhoramento gené-
tico que estão sendo feitos. O bezerro
nasceu a partir de inseminação artifi-
cial da búfala Roxinha com sêmen do
touro Vulcão, que já era cria de sé-
men importado da Bulgária, trazido
pela Embrapa An1azônia Oriental com
o objetivo de refrescar o sangue do
rebanho nacional.
A performance foi comprovada
pelo veterinário José Carlos
Teixeira, técnico da Associação Bra-
sileira de Criadores de Búfalo
(ABCB), seção Pará, que avaliou o
caso como tinia raridade. A Asso-
ciação também já atestou que não
existe registro ou acompanhamento
de um búfalo Murrah dessa idade,

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José Souza, diretor da Cebran

com esse peso, em qualquer parte do
Brasil. Em janeiro deste ano o ani-
mal foi levado para a Central de
Biotecnologia de Reprodução Animal
(Cebran), tinia unidade de ciência e
tecnologia da Universidade Federal
do Pará, na cidade de Castanhal, re-
gião nordeste do Estado.
Ele passa por uma fase de adapta-
ção, mas brevemente terá o sêmen
coletado e colocado à disposição dos
criadores do Brasil e de outros países

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A Central de Biotecnologia e Reprodução Animal em castanhal

que desejam melhorar a qualidade do
seu plantel. A expectativa agora é pelo

nascimento das crias do X-Biifalo, que
antes de ser levado para a Cebran
deixou 45 matrizes na Fazenda Santazabel com prenhez confirmada. "você só pode afirmar que um animal é
bom, do ponto de vista genético,
quando ele tem capacidade de trans-
mitir isso para os filhos. O que se pre-
tende com a seleção é que essa gené-
tica se propague através das gerações
futuras", destaca o diretor da Central,
José Silva de Sonsa.
 

A Várzea não é mais o melhor criatório

A criação de búfalo tem uma gran-
de importância para a economia
regional porque a carne do animal é
considerada Iight: tem 40% menos
colesteroÍ, 12 vezes menos gordura,
55% menos calorias e 12% mais pro-
teína. Daher explica que das quatro
raças de búfalos existentes na região,
a Murrah foi escolhida para desen-
volver o projeto por conta da sua
precocidade e alta produção de lei-
te. Para isso, o criador investiu em
pesquisas para melhoramento de seu
rebanho, com o objetivo estratégico
de produzir animais mais pesados,
em menor espaço de tempo.
Neste caso, a parceria com a
Cebran foi fundamental, pois garan-
tirá o acompanhamento dos filhotes
do X-Búfalo de uma forma criteriosa.
"O que falta para o búfalo hoje é con-
trole, é registrar os desempenhos.
Talvez existam outros animais com
potencial tão bom, mas falta ser iden-
tificado", reforça Sousa.

 

Inseminação - O interesse do
proprietário da Santa Izabel pelo me-
lhoramento genético começou em
1997, depois de assistir a uma pa-
lestra sobre o assunto, do professor
William Vale, que lhe sugeriu um
programa de inseminação artificial
para melhorar mais rapidamente o
seu rebanho. Foi quando ele come-
çou a realizar inseminação artificial
na fazenda, que ocupa uma área de
1,3 mil hectares, com 200 ha de pas-
to em área de várzea, às margens do
rio Moju, e 600 ha de pasto em terra
firme. Além do superbezerro, a San-
ta Izabel já conseguiu outros avan-
ços na área da bubalinocultura, como
montar um banco de dados que for-
nece subsídios para novas pesqui-
sas e o controle mensal do rebanho.
Eduardo Daher faz parte de uma
nova geração de criadores que inves-
te em tecnologia porque acredita que
esta é a única forma de ganhar espa-
ço no mercado nacional e internaci-
onal, inclusive quebrando velhos
conceitos sobre o setor. Ele lembra,
por exemplo, que comprou a fazen-
da em uma área de várzea porque
achava que era o melhor local para

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X-Búfalo com um lote de novilhas na fazenda Santa Izabel

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O animal foi alimentado só a pasto e leite                    Aos dez meses pesou 403 quilos           

XBufalo e Roxinha 15 meses pagro.jpg (4310 bytes)        xbufaloladopagro.jpg (5990 bytes)
                  X-Búfalo e a mãe Roxinha                     Pouco antes de ser levado para a Cebran       

 

criar búfalos. Hoje pensa diferente.
"Depois que adquiri uma área de terra
alta aprendi que o melhor animal
para a várzea é indiscutivelmente o
búfalo, mas o melhor lugar para se
criar o búfalo não é a várzea".
Na várzea, os animais fazem
grande esforço para se deslocar e
acabam gastando muita energia para
buscar os alimentos. Na área alta,
onde existe maior oferta de capim
em volume e qualidade, o desloca-
mento é muito mais fácil e o des-
gaste físico é mínimo.


Custos - Outras vantagens da ter-
ra firme em relação à várzea, com-
provadas por Daher, são os custos
para manutenção de cerca, conser-
vação de pastagens, adubação e a
aplicação do sistema de Pastejo

Rotacionado Intensivo (PAI), que nas
terras firmes é realizado com mais fa-
cilidade. "O búfalo está começando
a caminhar da várzea para as terras
altas e os criadores estão investindo
mais em controle fitossanitário, o que
faz com que comece a aparecer toda
a potencialidade que estava escon-
dida", aposta.
Como aposta na pesquisa, Daher
deu seqüência ao seu pioneirismo.
Já firmou nova parceria com a Cebran
para coleta de embrião. Ele acredita
que o projeto mostrará algum resul-
tado positivo daqui a uns três a cin-

co anos. "Por enquanto é só investi-
mento e muita paciência da equipe
do projeto, composta pelos douto-
res Ohashi, Souza, Alysson e
Moisés". (MQj

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